Curva ABC de estoque: entenda como funciona e as vantagens

curva ABC de estoque

Pode-se dizer que o estoque é a matéria-prima do ponto de venda. Por tamanha importância, o nível de sua gestão deve ser o mais alto possível. E a curva ABC de estoque é uma excelente ferramenta para gerenciá-la.

O método pode ser aplicado tanto em pequenos negócios quanto em unidades de redes de varejo. Então, todo comércio precisa dar atenção a ele e buscar aproveitá-lo da melhor forma possível.

Hoje, vamos conceituar a curvatura, explicar como implementá-la e mostrar alguns de seus benefícios.

Como funciona a curva ABC de estoque

Separando os itens em três categorias de importância, a curva organiza as mercadorias conforme o impacto que geram no varejo e suas quantidades de demanda e armazenamento, da seguinte forma:

  • categoria A: os produtos de maior importância e impacto correspondem a no máximo 20% do estoque total, mas representam entre 65% e 80% do seu valor em dinheiro;
  • categoria B: na intermediária temos as mercadorias que significam cerca de 30% do estoque e entre 15% e 25% do seu valor;
  • categoria C: por último, os itens que representam entre 30% e 50% de todo estoque e de 5% a 10% de seu valor.

Essa classificação esclarece quais são os produtos prioritários para o comércio, níveis de estoque a serem mantidos para cada item, modelos de precificação adequados e outros critérios gerenciais. Logo, é importante para tarefas de gestão e planejamento e embasamento de tomada de decisões, ações essenciais para a obtenção de bons resultados. E mais adiante abordaremos em detalhes essa importância explorando as vantagens do método.

No caso de negócios com mais de um ponto de venda, cada unidade deve ter sua própria curva. Isso porque as demandas e o comportamento de consumo dos clientes de cada filial são diferentes, como pela localidade distinta de cada uma, apesar de todas fazerem parte da mesma empresa e do mesmo ramo.

Como fazer a curva do seu PDV

Listar e organizar produtos e números

Utilizando o recurso de montagem de relatórios personalizados do cadastro de produtos do sistema de gestão do varejo, o responsável precisa elaborar um documento com os seguintes dados:

  • produtos individualizados, que podem ser organizados em categorias por conta do alto volume de itens com o qual alguns comércios trabalham;
  • preços unitários;
  • quantidades estocadas de cada mercadoria ou grupo;
  • volume de vendas por período dos itens.

Calcular os percentuais

O segundo passo é o momento no qual se calcula a representação e a importância de quantidades e valores em relação a volumes de estoque. Então, é observado o valor total armazenado e atribuídos percentuais aos produtos em relação a ele.

Por exemplo, se o estoque da unidade soma R$ 200 mil e um produto ou uma categoria de itens soma R$ 10 mil, ela representa 5% do estoque. Já em quantidades, provavelmente significará entre 30% e 50% da quantidade total — ou fará parte de um grupo que compõe esse percentual, dependendo do tamanho do mix e do ramo de varejo.

Desenhar a curva com as categorias

Esse é o momento de finalmente finalizar e visualizar a curva ABC de estoque do negócio, tomando cuidado para desenvolvê-la de forma adequada à empresa.

Um varejo cujo mix não seja tão extenso e compartimentado, como uma unidade de pequena conveniência de posto de combustível, basicamente composta pela frente de caixa, pode individualizar todos os seus itens na listagem e nos cálculos. Mas cada ponto de venda da rede de conveniência precisa ter a sua própria curva.

Já um supermercado, fazendo parte ou não de uma rede, conta com até dezenas de milhares de itens individuais. Portanto, faz mais sentido categorizá-los e então atribuir percentuais para alocar os grupos nos pontos A, B ou C. Isso facilita e agiliza o trabalho de desenho de uma curva confiável e útil, mas ainda não dispensa cuidados a detalhes e individualidades de cada seção de mercadorias.

Ou o contrário pode ser feito: categorizar todo o estoque primeiro e depois desenvolver a curvatura para cada uma delas, entendo quais são as prioridades e itens de menor e maior impacto em bebidas, mercearia, frente de caixa, sazonalidades e demais divisões. 

Nesse caso, após ter as curvas prontas, o olhar precisa ser retomado para o todo no intuito de a visão focada nas categorias não causar distorções em níveis de estoque, como compras excessivas para determinada divisão, sendo que em comparação com o todo sua demanda é uma das menores.

Quais são os benefícios da implementação

Melhor estratégia de compras

O setor de compras tem como principais responsabilidades atender às demandas, sem permitir rupturas, e não adquirir em excesso, que representa custo de oportunidade não aproveitado, capital parado e possivelmente perdas.

Com prioridades de estoque bem estabelecidas, e contando também com dados de vendas mais detalhados, os compradores podem fazer seu trabalho de forma mais exata, contribuindo para a lucratividade. Aliás, para mercadorias ou categorias mais relevantes, a curva e os dados organizados nela podem ajudar em negociações com fornecedores para obter preços melhores em troca de aquisições volumosas e/ou frequentes.

Redução de perdas e aumento de lucro

As principais causas de perdas por fatores internos são furtos, obsolência, vencimento de validade e perecimento. O que todos eles têm em comum é que são potencializados por compras em excesso e estoque parado. Ou seja, podem ser prevenidos.

Com o controle do estoque sendo mais exato e próximo, e ajudando nas compras, é possível reduzir em muito as perdas e, consequentemente, elevar a lucratividade do negócio.

Performance melhor em promoções e aumento de faturamento

Ações promocionais podem aumentar ainda mais as vendas de produtos e categorias com mais aceitação ou desafogar o que está parado no armazenamento e sujeito a ser perdido. Nesse sentido, o esclarecimento do impacto de divisões e itens na curvatura desenhada auxilia em planejamento e decisões voltados a ações promocionais.

Por exemplo, o controle pode ajudar na definição de boas vendas casadas e de artigos para o tradicional “compre 1 e leve 2”.

O sucesso em ações promocionais não depende somente de preços baixos e boas práticas de marketing e publicidade, mas também da escolha correta de produtos para as ações, levando em conta histórico de vendas e demandas dos clientes.

Já está aplicando a curva ABC de estoque no seu varejo? Teve dificuldades? Compartilhe suas percepções conosco nos comentários.

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